O jardim sem fim, por Camila F. Z. Alves
Em
uma manhã de inverno de minha infância fui na casa de minha vó com meus pais,
junto do meu livro, é claro!! Logo avistei Biló, "meu gatinho".
Chovia, e chovia muito, achava que o céu já estava ficando desidratado. Da
janela, avistava aquelas gotículas de água caírem sobre o quintal.
Adoro
flores, animais, o contato que tenho com a natureza. Eu, com 7 anos de idade,
já sabia o que era ser independente, ter meu próprio jardim e cultivar minhas
próprias sementes. Naquele mesmo dia fiquei entediada, pois minhas amigas
estavam viajando e minha avó dormindo. Escutava um vácuo vazio: o nada. Não
soube o que fazer, então, de repente resolvi iniciar minha leitura do livro
'Chachinhos Dourados", acabei adormecendo.
No
dia seguinte, acordei com mamãe falando: - "Filha, o café está na mesa!!
Fiz aquelas panquecas que você gosta..." Super animada, corri para a mesa
e meu pai me olhando com uma cara bem contente. Permanecia tudo na paz até que
fui passear no quintal da vovó. Havia algo de errado, um aspecto diferente: não
eram as cores, nem o cheiro, as flores roxas com branco murcharam. Bateu uma
tristeza em meu coração, corri para um cantinho da casa. Chorei.
Depois
de duas horas minha mãe perguntou o que havia acontecido e avisou que
meus amigos tinham ligado para mim para perguntar se eu estava bem. Fiquei
surpresa, parecia que eles estavam com pressentimento do que havia acabado de
acontecer. Faltavam dois dias para acabar os dias de frio e começar uma nova
estação do ano. Já não estava querendo sair do quintal, refletindo mesmo. Sem
saber por que meu amigo Zé Fumaça chegou todo destrambelhado junto com Maria
reclamando da chuva.
Zé
perguntou: - "Aconteceu alguma coisa?", sinceramente estava tristonha
para responder, mas falei sim. Expliquei toda a situação das minhas flores, o
que parecia algo tão sem importância, para mim, tinha um valor sentimental.
Maria toda preocupada opinou: - "Imagino o que você está sentindo, mas já
parou para pensar que a primavera está chegando e novas plantinhas vão
desabrochar? Você recupera fácil regando todos os dias".
Naquele
momento, pensei sobre como eu estava sendo sentimental com aquelas florzinhas.
Cinco minutos depois vimos um filme enquanto pensava na vida. Meus amigos me apoiaram
quando eu mais precisei e além disso me confortaram. E aquela florzinha?
Morreu, infelizmente.
Inverno
acabou e um lindo dia começou com pássaros voando, borboletas dançando e um
leve ventinho batendo em meu rosto. Por milagre, dei um sorrisinho por sentir
aquela presença de conforto. Resolvi passear atrás do jardim, ainda com poças
de água pulando como se fossem obstáculos para chegar nas plantinhas.
Avistei
uma pequena sementinha com pétalas amarelas, achei lindo. Cada dia que ia se
passando nasciam cada vez mais, de pouquinho em pouquinho, meus olhos brilharam
e comecei a sentir a famosa magia das pétalas das tulipas coloridas sem fim. Para
todo fim, um recomeço.