O faraó zumbi, por Caio A. Souza
O ano era 2455 a.C e o faraó
Quéops acabara de morrer. A cidade de Gizé estava de luto e o sarcófago de
Quéops estava sendo levado para a enorme pirâmide que havia sido construída por
ele mesmo durante seu reinado, a fim de sepultar seu espírito e deixá-lo mais
perto do sol.
Ramsés e Amon, dois jovens
travessos estavam assistindo Quéops ser carregado e não poderiam deixar de
notar que o sarcófago era banhado a ouro com o desenho de seu falecido faraó.
– Olhe, Amon. O negócio é
muito brilhante – disse Ramsés.
– Aquilo deve valer mais que
nossas vidas – Disse Amon.
– Nossas vidas? Vale mais que
a vida de metade das pessoas que habitam esta terra.
Enquanto voltavam pra casa,
Ramsés e Amon conversavam sobre suas crenças e cultura até que Amon diz:-
Ramsés, tenho uma ideia, mas acho que você não vai gostar muito dela.
– Lá vem. Por que você não
consegue ficar numa boa sem nos causar problemas?
– Calma, Ramsés, nem vai dar
nada.
– Diz o que tu quer de uma
vez.
– Vamos invadir a pirâmide e
saquear aquele sarcófago, imagina o tanto de ouro que tem lá...
– Pelas águas do Nilo! Estás
delirando, Amon. Se fizermos isso vamos sofrer a nossa pós-vida inteira!
– Por Rá, Ramsés. Devias ser
menos medroso.
– Claro que eu tenho medo.
Estás falando de saquear o filho de Rá.
– Você acha que ele não
guarda o elixir da vida eterna com ele? Diz a lenda, que faraós não podem tomá-lo,
pois assim se tornariam mais poderoso que o próprio Rá. Mas nós somos meros
cidadãos. Se tomarmos o elixir, não precisaremos nos preocupar com a nossa
pós-vida, pois nunca morreremos. Vamos lá, Ramsés. Qualquer coisa podes falar
que eu o persuadi.
– Então vamos, mas primeiro
precisamos de um plano. Você começa, já que está me metendo nesta enrascada
– Hahaha! Você duvida desta
mente brilhante? Já tenho tudo arquitetado: Nesta madrugada, cavamos um buraco
grande o suficiente para passarmos com o sarcófago. Não deve ser tão
difícil.
– Você sabe o que tem lá
dentro da pirâmide?
– Não tenho a menor ideia.
– Já tem as pás?
– Já!
Passou o dia, e os
saqueadores acordaram, pegaram as pás, colocaram suas vestes e foram em direção
à pirâmide. Um longe e cansativo caminho, no frio da noite do deserto
dificultava a caminhada de Ramsés e Amon, mas os dois não desistiram.
Chegando na pirâmide, os dois
começaram a cavar. Depois de duas horas, eles conseguiram entrar na pirâmide,
se depararam com muitas galerias e armadilhas.
Conforme foram avançando na
pirâmide, eles foram ouvindo uma voz, que ficava mais alta a cada passo que
eles davam. Os hieróglifos recitavam uma antiga oração de proteção aos faraós,
e cada passo dado o medo subia mais à cabeça, e começavam a ter cada vez mais
alucinações. A voz grossa e alta ficava cada vez mais alta, até que fica claro
o que ela estava dizendo:
– Quem está aí e o que queres
de mim, o grande Faraó?