"Era um jovenzinho quando...", de Thiago F. de Cysne
Era jovenzinho quando comecei a perceber a falta de
meu pai nas noites de sexta, às vezes ele só voltava na segunda.
Mesmo percebendo, nunca comentei com minha mãe.
Quando ele não voltava na sexta mesmo, eu via sua
inquietude, andava de um lado para o outro, aflita, e eu a perguntava:
- Mamãe, por quê a senhora está tão inquieta?
E ela me respondia com a voz trêmula:
- Não é nada meu filho, vamos nos acalmar e
esperar...
Nada a acalmava.
Já sabia que não devia perguntar “onde o pai
estará?”, pois ela não me respondia e isto a deixava ainda mais aflita.
Já era 18:30hs de domingo, até eu estava aflito,
“já era tarde, onde meu pai estaria? Estava bem?”, eram tantas perguntas.
Mais uma hora se passa, as velas derretem e uma
forte tempestade cai lá fora.
Alguém bate forte na porta:
- Alguém em casa?
Minha mãe põe o casaco mais grosso e vai atender a
porta.
Era um homem estranho, baixo, corcunda e com sua
pele pálida, não vi muito muito de seu rosto, pois, ele vestia uma túnica
preta, que ia até seus pés.
Ele trazia notícias.
Eram palavras tristes escritas em um papel fino, no
final um selo do Rei e um agradecimento pelos serviços de meu pai.
Minha mãe, com seus olhos tomados pelas lágrimas,
virasse para mim e começa a falar:
-
Filh...
-
Espere! – O homem a interrompe, tira um saquinho de camurça roxa de seu bolso e
o entrega para minha mãe.
O
homem sai.
Fechamos
a porta, minha mãe, ainda com seus olhos cheios d’água, abre o pacote.
Um
punhado de moedas e uma pequena pirâmide de ouro.
Nunca
soube o que meu pai fazia nas sextas à noite...