100 ideias para um conto, por Lucas B. Silva
Então,
aqui estou eu, parado frente a uma tela de computador, com uma página em branco
e um enigmático cursor.
— Sim, eu admito! Sou um jovem
nada criativo — Berro eu aos
quatro cantos do mundo, como se isto resolvesse a minha falta de criatividade!
CRIATIVIDADE!
Que palavra marota! Ser criativo é criar ALGO novo a partir do NADA. E este é
que é o problema! NADA me vem à cabeça hoje. Como algo como simples como o
NADA, pode provocar tanto drama e complexidade à minha existência. Ao mesmo
tempo em que a terra é limpa e arada, pronta para semear as nossas
sementes-ideias, é também o solo árido do deserto, em que NADA germina.
Mas apenas o solo não é NADA, sem a semente-ideia para
ser plantada, NADA germinará em uma árvore-texto. — É isto! Preciso de uma semente-ideia! Mas onde conseguir uma! NADA me
vem à mente.
Bato
os dedos na mesa, olho para a incógnita tela à minha frente, levanto-me da
cadeira e caminho de um lado para o outro de minha sala, na esperança de uma
ideia.
— Oh! Eternos Deuses! Oh, Zeus,
Poseidon e Hades, peço-vos ser agraciado com uma ideia, pode ser uma
ideiazinha, qualquer uma, por mais mixuruca que seja.
(Um longo tempo de espera se passa… e NADA!)
Minha
moral com os Deuses do Olimpo deve estar realmente baixa.
Quem
sabe se eu mudar de ambiente? Pego o notebook e vou para a garagem, sento-me a
uma mesa velha, ligo meu laptop, abro o word, e a página branca com seu cursor
cintilante voltam a me atormentar. O que escrever nesta tela em branco, que não
tem NADA escrito?
Recosto-me
para trás na cadeira, mordo um pão com ovo e tomo um gole de Nescau, queimo a
língua e cuspo tudo em cima do laptop, não sem antes derrubar o pão com ovo em
cima do teclado, ao tentar secá-lo com um guardanapo. Além de ser um jovem SEM
ideias, ainda um escritor estabanado e desastrado!
Volto
para meu quarto com motivações faltando, com um notebook totalmente imundo e
ainda SEM ideias para escrever. SEM ideias. SEM ideias. CEM ideias!
— É isto! Escreverei sobre CEM
ideias para se escrever um conto!
Pego
rapidamente meu note e ligo ele de volta, sento-me a escrivaninha, e olho para
a indecifrável tela branca, sentindo o frio vento que vem de fora. Fecho a
janela, coloco o título no alto da folha: 100 ideias para um conto.